História
Prata Surf/Sk8, desde 83....
Putz, é tempo, hein!?! Foram tantas mudanças nessas duas décadas, tanto surf, tanto skate, tanta festa e tanta amizade, que até dá uma certa emoção relembrar todas essas coisas...
Mas como diria Jack, o estripador, vamos por partes....hehe....essa e velha, hein, mas tudo bem, a Prata, que ainda nem era Surf/Sk8 já bombava nessa época. No início dos oitenta - imaginem vocês, Estrela, Lajeado e Venâncio, no início dos anos oitenta, imaginaram, então tá, pois é, alguém tinha que mudar aquilo tudo! E é aqui que entra a Loja Prata! Enquanto a região era dominada por grande lojas, com suas grifes populares, a Loja Prata (era assim que era conhecida!) começava a dar seus primeiros passos buscando a revolução. A revolução de tendências, a revolução de idéias, a revolução de vestir e de viver!
Começam os primeiros desfiles ao ar livre, com muito rock n`roll e bandas ao vivo! Naquela época o hip hop ainda não era muito ouvido por aqui e o eletronico, então nem se fala..... aqui o papo era banda cinzas, latão de luxo, fruto proibido!?!
Eis, então, que surge um outro modo de viver, alheio a vida dentro dos escritórios, uma grande maneira de ver a vida e, portanto, uma nova maneira de se vestir. Essa mudança começa a chamar a atenção daqueles que adoram uma adrenalina, um friozinho na barriga e um belo desafio. Pronto! Muitos não vão lembrar, muitos não querem lembrar e muitos....hehehe....ainda nem eram nascido! Mas aquelas bermudas com cores alucinantes como o verde limão, o rosa shock e o laranja fluorescente.....nossa, aquilo sim é que era atitude! Direto das praias do RJ, onde o surf já polemizava a todos como um novo movimento de grandes ideais... voltem a imaginar nossa região nos anos oitenta..... essa foi a atitude da Prata, trazer para cá todas essas novidades que agitavam o centro do país. As notícias, os campeonatos, os surfistas da hora e as roupas que estouravam... pois foi assim que a Prata se ergueu e se manteve forte por todo aquele conturbado inicio de década!
Com o passar dos anos, as coisas foram se profissionalizando, os campeonatos acontecendo, o surf crescendo geometricamente até se tornar um dos esportes mais praticados do mundo! E a Prata não podia deixar de fazer parte disso! Ao som de Spy, Hooters, Hodoo Gurus, Gang Gajang, Australian Crawl, Midnight Oil e muitas outras bandas de surf que surgiram na década, a Prata ia apresentando pra galera marcas como Rato de Praia, OP, Ok Dok, Sundek, Hang Loose, Imagem e QuikSilver (quando o logo ainda era uma simples montanha, com neve no pico, encoberta pelo esboço de uma onda. Tudo em preto e branco!).Mesmo sem conhecer muito bem o circuito do surf todos se contaminavam pelo way of life dessa coisa linda que é o surf! A loja Prata fora picada pelo bichinho do surf! Stoked total! E tentava passar isso pra galera da região, que, ainda que não surfassem, admiravam os que o faziam e as roupas que usavam, que sempre foram avançadas pra época.
Enquanto o surf crescia, outro movimento começava a agitar o cenário mundial, já nos meados dos anos oitenta. Chegava a hora do skate (skate ainda não se escrevia sk8!) mostrar ao mundo seus propósitos e tendências. O primeiro grande boom dos carrinhos! Independente de toda aquela guerra de opiniões, de que o sk8 veio do surf e tal ou que não veio e ponto final (assista dog town e tire suas próprias conclusões!), a Prata deu um jeito de inserir a região do Taquari em todo esse movimento! E isso a duzentos km das praias, pra não dizer quatrocentos.... a coisa explodiu por aqui! Quem não lembra dos campeonatos realizados pela Prata!?! Só não lembra quem não havia nascido (que devem ser muitos os que estão lendo esse texto agora!) Porra, coisa de cinema! O half da praça (que ainda nem era do papai noel, era dos skatistas! E daqueles que teimavam em querer jogar futebol na cancha, já tomada pelas rampas), a pista de Estrela, ao lado do bicicross. Nossa, dropar “do buraco” (que existia no lugar do canion da rampa), era tudo...
E aquele campeonato que rolou em duas etapas, uma em Lajeado e outra em Estrela! Aquilo foi palhaçada! Pra vocês terem uma idéia, imaginem, hoje, o Mineirinho, o Ueda e o Ferrugem dando um rolê pela cidade!!! Pois na época, vieram o Bigo (Air), o Neguinho, Fernando Bolota, a equipe da Canion, da Pro Life, Anarquia, com direito a um show do extinto free style na também extinta pista da Lupus! Cara era muita gente boa, ninguém podia imaginar, naquela época, alguém voando dois metros acima do half (ah, half, pra quem não sabe, é a atual pista de vertical), quando nós nos cagávamos todos para, simplesmente, dropá-lo! Manobras de street, coisa de louco, aqueles caras detonaram com nossa imaginação. Fizeram coisas inacreditáveis, deixando na cabeça de todos aqueles que amam o skate, imagens inesquecíveis! E uns bons anos de treino tentando aperfeiçoar nossas manobras! Cada um tinha seu carrinho, fosse com as, chamadas, rodinhas de sabão, special black (com borracha pura, que mais se pareciam com pneus. Impossível de se dar um belo slide!) ou as tão sonhadas doom doom da Anarquia! Já ouvia-se falar em Bones, Powell Peralta, Santa Cruz e Independent..... mas isso ainda era coisa de outro mundo!
Skate or die! Era o lema da época! Go Skate or go home! Skate is not a crime! Também se lia muito pelos muros da cidade (ops....), ao som do bom e velho punk rock, Dead Kennedis, Suicidal Tendencies e Toy Dolls a gente ia botando pra quebrar nas calçadas da Sorvebom, da Unimed... fugindo da polícia e brigando com o prefeito por um espaço só pra nós. Não sossegamos até conseguir a rua do cemitério! Toni Hawk, Steve Caballero, Alba ditavam a regra quanto ao style da hora. Acha que não?!? Então tente se lembrar da febre entre a galera do sk8, em que todo mundo tinha que ter uma mega franja! Cabelo raspado a zero, coberto pelo boné, que na verdade, escondia uma enorme franja ate o queixo! Ridículo, talvez, mas quanto maior a franja, mais louco era o visual! Tony Hawk tinha uma de dois palmos...
Graças a caras com o Juninho e Eliselmo... bom só me lembro deles agora, pelas ruas com seu carrinho embaixo do braço contra todas as dificuldades do mundo, nos meados e fins da década de noventa, é que ainda podíamos ver que o skate continuava rolando pela cidade, cada vez com mais dificuldades e menos apoio, praticamente sem rampas, munidos apenas com alguns caixotes e trilhos, mas já contando com duas rabetas no shape, nose e tail (evolução dos shapes tubarão...hehe...aqueles trambolhos). E foi assim, com muita garra e sem divulgação nacional ou grandes ídolos, mas com grandes guerreiros esparsos pelo mundo que, nos anos noventa, não se deixou o skate morrer...
Na seqüência já veio a nova geração, o sangue novo, a safra nova, Bacana, Du, Mario, Maroba, PH, e outros alucinados (me desculpem todos que esqueci, sei que foram vários!), que, juntamente com toda a nova geração mundial, reergueu o sk8, se fortaleceu e explodiu de uma forma inacreditável por todo o canto! Agora sim, o grande boom dos carrinhos! E adivinhem, novamente a Prata, agora já Prata Surf/Sk8, abraçou a causa, lutando por mais apoio, por mais espaço, por pistas, por eventos, mostrando, para quem quisesse ver, que o skate não era aquela coisa dos anos oitenta, tida por muitos como uma febre, quando era visto como coisa de vagabundo! Qual surfista, qual skatista, já não ouviu que isso era coisa de vagabundo!
Virando o século, com grandes campeonatos realizados no Parque do Imigrante, a Prata Surf/Sk8, em parceria com a Drop Dead, Hideout, Child, New e Naipe, apresentava a comunidade regional os grandes atletas que surgiam no cenário nacional e que acabaram estourando mundialmente. Caras como César Gordo, Wagner Ramos, Athos Porto, Gnomo, Dieguinho, já pisaram na nossa terrinha, almoçaram com a galera e ate deram uma banda juntos, ao som de altos rap e pá...
Por causa do esforço da Prata Surf/Sk8, toda aquela multidão reunida na cidade podia ver que agora o papo era sério, o sk8 passando a ser visto como esporte, com profissionalismo, atletas, campeonatos organizados. Conseguimos a nossa pista! Com alguns problemas, de fato, mas esta lá, no parque dos Dick. Freqüentada por muitos, admiradores ou atletas, ela esta lá! Ela que já foi palco de tantos outros campeonatos... que foi berço de tantos caras bons, que viu mais uma safra surgir, pois, enquanto alguns tinham que começar a se virar na vida, outros começavam a roubar a cena, com manobras de alto nível técnico, surpreendendo a muitos nos campeonatos. Negretti, Mickey, Nego, Shimia, gurizada boa, entre tantos que se destacaram... Enfim, ultrapassando o surf, o sk8 tornou-se o esporte mais praticado no Brasil (a olhos vistos), novamente, toda a galera andava com um carrinho embaixo do braço e com um nível técnico de elite mundial! Surgem os ídolos, Bob Burnquist, Mineirinho, Ferrugem, Luan de Oliveira são todos brasileiros e estão entre os melhores do mundo!
E o surf!?! Bom, o surf continua sendo a coisa mais linda do mundo, a evolução, aquelas ondas gigantescas sendo dominadas pelo homem, aqueles tubos inacreditáveis de Teahupoo sendo tirados a todo instante, Pipeline, Slater, Irons, Taj Fanning, Jamie O’Brien... e a Prata?!? De mãos dadas com tudo isso! Segue dando uma força pra galera (está até levando nosso surf para uns picos internacionais, já foi quatro vezes ao Uruguai!) e trazendo o que há de melhor em equipamentos de surf, com as melhores marcas da atualidade, unindo as clássicas com as piradas, as de vanguarda com as transloucadas, o surf com o sk8.... é, as coisas se misturam... como não?!? E o longboard, que nessa reerguida do sk8 surgiu com muita forca, levando inúmeros insanos a se atirarem ladeira abaixo! Bidu, Pina, Mestre Tavares, e tantos outros. Surfistas, skatistas, sei lá, mas sei que a Prata foi verificar, ajudou a introduzir e dissipar mais um esporte pros alucinados da região, com equipamentos, protetores, novidades, dicas sobre picos e barcas para campeonatos. Hoje o long, que passou a ser chamado de down hill, è um esporte mundial, profissional e organizado, que movimenta grande número de atletas e curiosos para ver esses malucos há mais de cem por hora sobre as rodinhas.
Pois é, viramos o século e a coisa já não é mais tão previsível, apesar de algumas coisas serem certas como a necessidade de respirarmos e de preservarmos o meio ambiente. Há coisas que não mudam, quem já surfou uma onda ou dropou uma rampa sabe que essas coisas são pra sempre, “o poder e a sensação de dar um ollie air”, que fazem parte do nosso DNA. Essas vivências ninguém pode lhe dar. Tudo isso que vivemos esta por dentro, essas lembranças, festas e parcerias ficarão guardadas no coração e só a gente pode viver para guardá-las... e não tem preço!
Agora o resto, tudo aquilo que esta por fora, a imagem e a moda, deixa que Prata dá um jeito, deixe que te apresente as tendências, as novidades, as marcas.... o style é por sua conta! Idependentemente de se o cara é o Kelly ou o Curren, o Bob ou Tony Hawk, a Prata é a Prata, desde 83..... Sempre foi assim e assim será!
João Gilberto Vier - Surfista, Skatista e morador de Garopaba....hehehe...
A todos aqueles que, de alguma forma, e foram muitas as formas, contribuíram para toda evolução da Prata, do surf e do sk8, na região! Um salve pros de FÉ. (nem preciso citar nomes, cada um sabe da sua), galera que botava a mão nos campeonatos, que fazia a coisa andar e que me deixa muita saudades por aqui. Que tempo bom, que não volta nunca mais.... Tão perto e tão longe. Acho até que vou chorar, muita lembrança boa e paro por aqui..."Me dá meu copo que já era" (M. Brown)
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